Hão-de erguer-se entre o meu amor e eu
trezentas noites quais trezentos muros
e o mar será magia entre nós dois.
Apenas haverá recordações.
Oh tardes merecidas pela pena,
noites esperançadas ao olhar-te,
campos do meu caminho, firmamento
que vejo e vou perdendo...
Definitiva como um mármore,
a tua ausência irá entristecer as tardes.
Jorge Luís Borges
domingo, 20 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
NÃO ESQUECER #CIV
domingo, 6 de janeiro de 2013
Mimo 94º
Bom Ano de 2013 em Dia de Reis...
(Ciambella cake with sour orange caramel...recriado livremente :-) )
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
NÃO ESQUECER #CIII
I've been on the road
I've been on vacation
I've been travelling light to reach my final destination
Now I'm coming home
(...)
I could be your friend
I could be your stranger
I could be the one your mother said would be a danger
Now it's up to you
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Mimo 92º
Palavras que tocam música e música que mexe com palavras...
As Ancas
Desloquemos as ancas com cuidado
se for ao andar mas não na cama
que aí as ancas ajudam e ajustam
Curvam e tomam das posições
a correcção exacta
para melhor prazer e maior chama
Medida certa e seca em cada corpo
as ancas lentas no ardor da carne
na ternura das pernas onde se ama
Pois a modulação das ancas
é a ondulação das ancas
é a ondulação do mar e do deleite
Da vertigem das ancas
As Palavras do Corpo, Maria Teresa Horta
As Ancas
Desloquemos as ancas com cuidado
se for ao andar mas não na cama
que aí as ancas ajudam e ajustam
Curvam e tomam das posições
a correcção exacta
para melhor prazer e maior chama
Medida certa e seca em cada corpo
as ancas lentas no ardor da carne
na ternura das pernas onde se ama
Pois a modulação das ancas
é a ondulação das ancas
é a ondulação do mar e do deleite
Da vertigem das ancas
As Palavras do Corpo, Maria Teresa Horta
terça-feira, 19 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
MIMO 90º
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água
...
Eugénio de Andrade ...
quarta-feira, 30 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
consolos LXXIV
(Ferraria, ago 2011)
Um sorriso a nascer límpido na boca, a sombra de uma videira com insectos, o musical crescimento dos filhos, dos lírios, a escada de luz no teu cabelo, o calor da mão que dorme no meu peito e, sim, a simples memória de te esperar no carro, antes de tudo isso acontecer.
Miguel Espínola...poema celularGosto, muito...
(vantagem do blog: posso por muito mais do que apenas gosto :-))
sexta-feira, 11 de maio de 2012
sombras...
morreu...mas fica-nos a obra...
Maria João Seixas – Bernardo, diz-me quem és.
Bernardo Sassetti – Que difícil! Sou um terrestre, muitas vezes feliz, mas um terrestre que caminha de
uma forma muito aérea, muito suspensa, à procura de qualquer coisa, sobretudo na
música, que ainda não sabe muito bem o que é. E isso inquieta-me o espírito. Sempre.
Vivo com esta inquietação vinte e quatro horas por dia.
a ler na íntegra...aqui!!!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
NÃO ESQUECER #C
O professor senta-se junto de um dos seus alunos. A janela está aberta e sente-se o ar frio do inverno na respiração. O professor quer dizer uma série de coisas, especialmente porque começam agora as férias de natal e sente que o menino está triste, que se sente sozinho. lembra-se de uma história persa que ouviu em criança e vira-se para o aluno:
- Disse Muqatil al - Rashid que quando divide um queijo ao meio fica com duas metades, mas quando divide um cabelo não fica com duas metades de cabelo, mas sim com dois cabelos. Há quem diga o mesmo do amor, que se for dividido em dois, como quando temos dois filhos, são dois amores inteiros e não um dividido por dois. E assim, também acontece quando se tem apenas um dos nossos progenitores. Apesar de um deles ter morrido, continuamos a ser amados de um modo total. Se retirares metade do infinito ao infinito, ficas com o infinito à mesma. Percebes o que te estou a dizer?
- Sim, diz o menino.
- Sei que o teu pai não está muito tempo em casa e sentes a falta da tua mãe...
- Não está.
- Mas não é motivo para tristezas e nem podes achar que ele gosta menos de ti por isso. É o trabalho, mas...
- Sim.
- Quando dividimos algumas coisas em dois, não obtemos metades. lembra-te disso, mas sim duas coisas inteiras. Repara: quando um homem divide um pão e um queijo com outro homem, não ficam duas metades de pão e queijo, mas sim duas refeições inteiras. A Matemática que se aprende na escola não inclui estas operações que estão mais de acordo com os nossos sentimentos e menos de acordo com os números. Compreendes o que te quero dizer?
- Sim.
O menino volta para casa enquanto o professor, com uma lágrima nos olhos, olha para ele.
Já é de noite e a casa está em silêncio. o menino abre os olhos quando ouve o pai chegar. Fica deitado, mas não consegue adormecer e passado uma hora, levanta-se da cama. Dirige-se à despensa e depois ao quarto do pai. Tira as algemas que estão penduradas no cinto que, por sua vez está pousado nas costas da cadeira onde o pai deixa a farda quando se vai deitar. O menino com gestos delicados, pega nas mãos do pai que dorme um sono pesado, de cansaço - nem sequer acorda com o barulho das algemas a fecharem - se junto à cabeceira da cama, apenas geme qualquer coisa e volta a ressonar. Só acorda quando sente uma dor aguda no flanco.
Ao tentar mexer os braços, não consegue, tenta mexer as pernas, mas estão atadas aos pés da cama. faz uns gestos bruscos para tentar libertar-se. O menino continua a serrar-lhe o flanco, apesar dos gritos. Só ao cabo de 12 minutos é que o pai desmaia e os gritos cessam. A cama está cheia de sangue e o menino continua a serrar até conseguir, passado hora e meia, dividir o pai em dois. O que obteve com aquela divisão, não foi um pai e uma mãe, como esperava, mas sim uma infinita solidão.
Duas Metades, Afonso Cruz (na edição nº 1075 do JL)
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