lá diz o ditado:sábado, 30 de julho de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
afectos XXVII
Olhos de libélula
Os olhos de pétalas abriram-se de medo
e tremeram como borboleta
(condenada à imobilidade da terra),
uma última gota foi bebida e chorada,
a agonia da flor expandiu-se
e junto da saudade caiu na terra
uma semente minúscula
escura, luminosa;
deixa-se aconchegar no solo húmido
de florestas e planícies prometidas
e sonhando com a luz
e com o ser árvore,
morada das aves e do canto,
sombra para os amantes,
recanto para os sós,
leva o seu amor
a ter raízes mais profundas
e a beber da seiva mais pura
mais eterna.
domingo, 17 de julho de 2011
MIMO 77º

Os melhores beijos são invisíveis, são como um pintor debaixo do lava-loiças. É por isso que os namorados se escondem do mundo e fecham os olhos. Não há testemunhas e é por isso, por essa invisibilidade toda, que os beijos apaixonados são tão poderosos. Sors pensava que a Lua só existia porque havia pessoas apaixonadas. Ela não faria sentido algum num mundo sem paixão. Nem a Lua, nem as flores, nem os bombons.
sábado, 9 de julho de 2011
afectos XXVI
quarta-feira, 6 de julho de 2011
consolos LXVII
terça-feira, 5 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
MIMO 76º
You know if you do, you won't regret it, come and get it
Do it again, Diana Krall
sexta-feira, 1 de julho de 2011
NÃO ESQUECER LXXXV
Mais importante que a Grandeza é a Inteireza!
(versão livre resultante de leitura do Tesouro Escondido, Tolentino de Mendonça)
consolos LXVI

(Sta Bárbara, Ribeira Grande - 30 Jun 2011)
le idee. C'è terra o mare dietro
quel filo che all'occhio nega
la realtà?
Fantasiose fiaccole, nell'alto
delle porte del cielo, m'attirano.
Sagome d' angeli, a mezz'aria sospese,
chiamano con melodiosi cantici,
per risvegliare assonnate voluttà.
delle porte del cielo, m'attirano.
Sagome d' angeli, a mezz'aria sospese,
chiamano con melodiosi cantici,
per risvegliare assonnate voluttà.
E raggi pungenti infilzano il sole,
sfera d' oro bruciante che cattura
le mie fantasie infuocandole subito
più del sentimento, per moltiplicarmi
i brividi indolori: felici abitudini
negate agli uomini che non conoscono
la mia piacevole punizione.
sfera d' oro bruciante che cattura
le mie fantasie infuocandole subito
più del sentimento, per moltiplicarmi
i brividi indolori: felici abitudini
negate agli uomini che non conoscono
la mia piacevole punizione.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
MIMO 75º
domingo, 26 de junho de 2011
afectos XXV
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
regalos LXIII (i)

começa logo bastante bem:
Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.
(...)
- Mas você, Zeca: é que nem faz ideia da vida.
- A vida D. Luarmina? A vida é tão simples que ninguém a entende. É como dizia meu avô Celestiano sobre pensarmos Deus ou não-Deus (Deus é assunto delicado de pensar, faz conta como um ovo: se apertarmos com força parte-se, se não seguramos bem cai - pensamento do avô Celestiano)
parece-me boa leitura para uma linda noite de verão...
terça-feira, 14 de junho de 2011
consolos LXV
(...)
Nous sommes corps à corps nous sommes terre à terre
Nous naissons de partout nous sommes sans limites
Notre mouvement, Paul Éluard
Nous sommes corps à corps nous sommes terre à terre
Nous naissons de partout nous sommes sans limites
Notre mouvement, Paul Éluard
sexta-feira, 10 de junho de 2011
MIMO 72º
Vem até mim, agora também! Salva-me da aflitiva
ansiedade; e para mim faz cumprir tudo o que
meu coração deseja ver cumprido; (...)
Hino a Afrodite, Safo in Poesia Grega
quinta-feira, 9 de junho de 2011
consolosLXIV
Tous ceux qui parlent des merveillesLeurs fables cachent des sanglots
Et les couleurs de leur oreille
Toujours à des plaintes pareilles
Donnent leurs larmes pour de l'eau
(...)
Ses secrets partout qu'il expose
Ce sont des oiseaux déguisés
Son regard embellit les choses
Et les gens prennent pour des roses
La douleur dont il est brisé
Ma vie au loin mon étrangère
Ce que je fus je l'ai quitté
Et les teintes d'aimer changèrent
Comme roussit dans les fougères
Le songe d'une nuit d'été
(...)
Les Oiseaux Deguises, Louis Aragon
NÃO ESQUECER LXXXIV
Achei piada ao nome...

Para abrir este Festival Silêncio, José Mário Branco e Camané, acompanhados por Carlos Bica, José Peixoto e Filipe Raposo, propõem uma incursão nesse mundo – ao mesmo tempo íntimo e universal – onde cada um de nós pode fixar as raízes da vida.
Um jogo de tensões entre o silêncio e os sons, no espaço e no tempo cénicos, que é o apanágio da canção poética. Simples, profundo, nutritivo.
sábado, 4 de junho de 2011
MIMO 71º
Passava na 2 gravações antigas da Renata Tebaldi...eu lembrei-me da banda sonora do Match Point. Deixo-vos o Enrico Caruso!!!
regalos LXII
Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. (...)
O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução.
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
sexta-feira, 3 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
4º MIMO
sábado, 28 de maio de 2011
NÃO ESQUECER LXXXII
A ler e reflectir bem...
Quinta-feira foi dia de regresso ao passado. Entrevistado pela Renascença sobre a hipótese de voltar a referendar o aborto, Passos Coelho, surpreendentemente, bordou um argumentário especioso, pouco claro e cheio de subentendidos, com receio de desagradar ao ‘vasto auditório’ conservador que julgava ter em linha.
(...)
O que faltou a Passos Coelho foi a coragem, ou o dom, da clareza na questão da IVG, e isso é muito perturbante num líder que podia ter apresentado uma linha de coerência com o seu pensamento nesta matéria. Teria sido fácil escudar-se no facto de a alteração da lei não constar do mastigado programa do PSD. Mas não, o líder do PSD abriu as portas à especulação e à repetição de uma batalha do passado, em que nem sequer estivera do lado vencido. Perdeu assim mais um dia em desmentidos e esclarecimentos. Por falta de firmeza nas suas próprias convicções.
(...)
afectos XXIV
segunda-feira, 23 de maio de 2011
brindes...
Ao ver isso...


Lembrei-me da Mafalda mas, nas sombras da memória, misturei estas duas tiras:
mas que se forem conjugadas, valem... :)))
domingo, 22 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
desejos...
às vezes gostava de ter uma varinha que convertesse todo o ruído à minha volta na música que desejasse...
sexta-feira, 6 de maio de 2011
NÃO ESQUECER LXXX
ouvir 5ª essência na 2

Será que conhecemos as pessoas que nos são próximas?
Será que as queremos conhecer?
E elas, quererão que as cheguemos a conhecer?
Será que as queremos conhecer?
E elas, quererão que as cheguemos a conhecer?
quinta-feira, 5 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
afectos XXIII
Uma Voz na Pedra
Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
segunda-feira, 2 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
MIMO 68º
- Sabe qual o meu único desejo neste mundo, a minha única ambição, a única coisa que eu realmente desejo? É atingir a Alegria, mas a ALegria plena, a Beatitude, não cinco minutos de Alegria para cinco anos de Tristeza eu queria a Alegria vivência perfeita... Os antigos diziam: os deuses dão a Alegria plena e a Tristeza plena, dão tudo plenamente, mas eu não conheço senão a Tristeza plena, Mestre, é por isso que vim procurá-lo, para aprender consigo a arte da Alegria...
- Há coisas que a gente não deve querer...
- Oh Mestre, mas a Alegria podia ser o seu olhar sorrir para mim, a Alegria podia ser os seus olhos encontrarem-se com os meus, poisarem em mim sorrindo, em mim mergulhando os seus olhos sorrindo mergulharmos sorrindo, Mestre, as nossas mãos tocando-se, desvelarem-me o mundo até que eu já não visse os seus olhos, Mestre, tão pertoque eu já não visse os seus olhos sorrindo...
- Há coisas que a gente não deve querer...
- Oh Mestre, mas a Alegria podia ser o seu olhar sorrir para mim, a Alegria podia ser os seus olhos encontrarem-se com os meus, poisarem em mim sorrindo, em mim mergulhando os seus olhos sorrindo mergulharmos sorrindo, Mestre, as nossas mãos tocando-se, desvelarem-me o mundo até que eu já não visse os seus olhos, Mestre, tão pertoque eu já não visse os seus olhos sorrindo...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
NÃO ESQUECER LXXIX
De resto ele agora é o rei das ruínas, ou o rei da cidade em ruínas ou o rei das ruínas da cidade. Está arruinado porque vive das ruínas e nelas. Um rei arruinado é triste. Quando o rei está arruinado, como não estarão os seus vassalos? É um povo de pedra roída, roída pelo mar. Agora o seu rei ergue-se sobre o trono de pedra, senta-se sobre o trono de pedra, deita-se sobre o trono de pedra, vive sobre o trono de pedra, morre sobre o trono de pedra. É um rei de pedra.
O Mestre, Ana Hatherly
quarta-feira, 20 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
regalos LXI
When I walk in my house I see pictures,
bought long ago, framed and hanging
—de Kooning, Arp, Laurencin, Henry Moore—
that I've cherished and stared at for years,
yet my eyes keep returning to the masters
of the trivial—a white stone perfectly round,
tiny lead models of baseball players, a cowbell,
a broken great-grandmother's rocker,
a dead dog's toy—valueless, unforgettable
detritus that my children will throw away
as I did my mother's souvenirs of trips
with my dead father, Kodaks of kittens,
and bundles of cards from her mother Kate.
The Things, Donald Hall
domingo, 10 de abril de 2011
MIMO 66º
Donne-moi tes mains pour l'inquiétude
Donne-moi tes mains dont j'ai tant rêvé
Dont j'ai tant rêvé dans ma solitude
Donne-moi tes mains que je sois sauvé
Lorsque je les prends à mon propre piège
De paume et de peur de hâte et d'émoi
Lorsque je les prends comme une eau de neige
Qui fuit de partout dans mes mains à moi
Sauras-tu jamais ce qui me traverse
Qui me bouleverse et qui m'envahi
Sauras-tu jamais ce qui me transperce
Ce que j'ai trahi quand j'ai tressailli
Ce que dit ainsi le profond langage
Ce parler muet de sens animaux
Sans bouche et sans yeux miroir sans image
Ce frémir d'aimer qui n'a pas de mots
Sauras-tu jamais ce que les doigts pensent
D'une proie entre eux un instant tenue
Sauras-tu jamais ce que leur silence
Un éclair aura connu d'inconnu
Donne-moi tes mains que mon coeur s'y forme
S'y taise le monde au moins un moment
Donne-moi tes mains que mon âme y dorme
Que mon âme y dorme éternellement...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
MIMO 65º
"Encontrar alguém que me ame com bondade, e saiba ler. (...) Alguém que deixe espaços entre as palavras para evitar que a última se agarre à próxima que vou escrever. Alguém que admita que a cartografia dos animais e da pontuação não está ainda estabelecida. Alguém que eu possa ler diferentemente depois de me ler."
Maria Gabriela Llansol...no Y
domingo, 27 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
NÃO ESQUECER LXXVII
"It's no use pretending that you are an ordinary woman. Quite clearly, like this pen, you are not. I don't mean for a second that you are in any way comparable with a pen. And yet you are, like this divine pen you are heavy and light at the same time... How [to] watch the puritanical face relax into slow lust? How to watch that watch catch its breath, and, for a speck of a speck of a millionth of second, become the animal that all men seek for in their women?"
Furious Lovesegunda-feira, 21 de março de 2011
NÃO ESQUECER LXXVI
E o quanto isso é difícil em poesia... A poesia, nomeadamente a de pendor interventivo, é uma forma de contestação?
Também é, sim. Não nos esqueçamos de que nunca os poetas tiveram tanta importância, tanto poder, como no meio do horror que foi o estalinismo. Estaline temia Akhmatóva, tinha-lhe muito medo- não se atreveu a tocar em Pasternák. O estatuto do poeta, o estatuto do grande escritor era sagrado; o grande poeta, o grande escritor, intocáveis. A poesia é o luxo necessário. Acabo de definir a poesia, reparem: o luxo absolutamente necessário. É uma contradição, mas é justamente assim que quero definir a poesia.
entrevista de George Steiner à LER (nº 100)
entrevista de George Steiner à LER (nº 100)
porque hoje é dia da poesia, dia da floresta, dia do sono, dia da Primavera...dia de Mim!!!! :-))))
sábado, 19 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
NÃO ESQUECER LXXV
A religião cristã é a verdadeira religião da voluptuosidade. O pecado é o maior atractivo do amor divino; quanto mais um homem se sente pecador, mais cristão é.
MIMO 64º
O corpo, a alma e o espírito são os elementos do mundo, como a epopeia, a lira e o drama são os da poesia.
quarta-feira, 16 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
NÃO ESQUECER LXXIV
6, 7, 8, 9, 10, ...28 ou 31 de Março ou qualquer outro mês...

(Meka Center, Ponta Delgada)
"Acima de tudo, a filosofia naturalista detém o poder supremo de culpabilização, capaz de mudar os costumes. No século XVIII, Rousseau, os médicos e os moralistas souberam tocar nesta corda sensível para convencer as mães a dedicar-se inteiramente aos filhos, a amamentá-los, a cuidar deles e a educá-los. Disso dependia a sua sobrevivência, a felicidade da família e da sociedade e enfim o poder da nação. Hoje os argumentos pouco mudaram. nas nossas sociedades onde a mortalidade infantil está no seu mais baixo nível, a preocupação já não é a sobrevivência das crianças mas a sua saúde física e psíquica, determinante para o bem estar do adulto e a harmonia social. Qual a mãe que não sentirá, no mínimo, uma pontinha* de culpabilidade se não se adaptar às leis da Natureza?"
pp. 60-61 in O Conflito a Mulher e a Mãe de Elisabeth Badinter
* que se (pode) transforma(r) num iceberg com a pressão envolvente...desnecessária portanto, a pressão! (digo eu...)
quinta-feira, 3 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
regalos LIX
É sempre com agrado que se lê PUROS PRAZERES...
"Tenho 72 anos. Olho para os meus filhos e para os meus netos e penso em que diabo de histórias se meterão eles e o que é que eles poderão um dia contar. Porque um homem é feito dessas histórias, não é de adê-énes e músculos e ossos. Histórias."
e que se fazem boas descobertas...
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
regalos LVIII
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
NÃO ESQUECER LXXII
Carta:
«lendo, não se sabe do que se fala. Mas, demorando a ler, verifica que se lê. E o que não se apreende directamente, sente-se no fulgor que emana do sentido do sentimento.
Sensualmente, a inteligência vai buscar o seu referente. O fulgor oscilante da leitura que é o verso e reverso deste enigma sem nenhum mistério contundente».
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
NÃO ESQUECER LXXI
Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.
(...)
Hino à Razão, Antero de Quental
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
MIMO 62º
Que grán silencio
Todo en suspenso
Que vértigo de no verte
Retumbo
Como una campana
Abro la ventana
Y entras tú
Entras tú…
domingo, 30 de janeiro de 2011
regalos LVII
sábado, 29 de janeiro de 2011
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